A Caixa Econômica Federal anunciou na última quarta-feira (12) novas modalidades de crédito para pessoas jurídicas no setor imobiliário, além da redução dos juros em parte das operações. O objetivo, segundo o banco, é fomentar a construção civil
O banco passará a
permitir que empresas do setor possam obter empréstimos usando os indexadores
IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e CDI (Certificado de
Depósito Interbancário).
Segundo a Caixa, as taxas de todas as novas modalidades representam uma redução em relação aos percentuais cobrados hoje (embora, no futuro, os indexadores possam subir e fazer o custo aumentar). As condições entrarão em vigor hoje, segunda-feira (17).
Os novos indexadores
estarão disponíveis para dois produtos. O primeiro é o Apoio à Produção (com
imóvel ainda na planta), que permite o financiamento do custo total da obra e
possibilita aos clientes pessoa física o financiamento para comprar a unidade
desde o início da construção do empreendimento.
Outra modalidade é o
Plano Empresa, que permite o financiamento de clientes pessoa física a partir
da execução de 80% do empreendimento.
As taxas mínimas serão de
IPCA mais 3,79% ao ano, CDI mais cupom de 1,48% e 119% do CDI. Já nas operações
indexadas à TR (taxa referencial), já existentes, as taxas mínimas baixarão de
TR mais 9,25% para TR mais 6,5%.
A Caixa já tinha reduzido
ao longo do ano passado as taxas para pessoas físicas. Pedro Guimarães,
presidente da Caixa, disse que as medidas, um pedido das construtoras,
aquecerão a demanda no setor.
Ele considera o movimento
como fundamental para preparar o mercado para um passo seguinte, o da securitização
do crédito imobiliário. As condições existentes hoje são consideradas um
entrave para a medida pela falta de segurança acerca da TR, que pode mudar de
patamar conforme uma “canetada” do governo.
“A TR é uma taxa que
ninguém sabe o que vai acontecer. E quando você tenta securitizar pela TR,
ninguém compra”, disse. “A partir do momento que pudermos fazer as operações
pelo IPCA, temos uma garantia muito mais efetiva para o mercado”, afirmou.
O movimento também é
necessário, segundo Guimarães, para que haja um reforço na captação de recursos
voltados ao setor imobiliário. A poupança, grande financiadora do setor, tem
tido saques recordes nos bancos com a queda da Selic e a consequente menor
remuneração.
“Acreditamos que no
médio prazo tem que haver fontes de financiamento que vão além da poupança.
Pode ser uma securitização. Mas a Caixa vai buscar novas fontes de
financiamento além da poupança”, disse.
Guimarães reconhece que o
IPCA pode apresentar um novo risco (de inadimplência, por exemplo) devido a sua
volatilidade. Mas ele e os demais executivos afirmam que o banco fez simulações
de cenário sobre a inflação e as considerou para a formulação das novas
modalidades, tornando mais rígidas as condições no fechamento das (como na avaliação
de renda da pessoa).
Ele ainda contestou as
preocupações em torno do IPCA dizendo que o próprio indexador da TR, existente
hoje, já representa um risco para os contratos. “Não vejo, nessas discussões,
que a TR também vai aumentar. Se houver descontrole inflacionário, haverá
penalização na TR”, disse.
Para o cliente, o risco dessa volatilidade não deve acontecer na modalidade prefixada (que não flutua conforme a variação de indicadores), prevista para ser anunciada pela Caixa na semana que vem. “Você tem riscos na TR, no IPCA e, no caso do pré, o cliente não vai ter esse risco”, disse.
Fonte: Folha/Uol Online