Tenho R$350 mil. É melhor quitar meu financiamento ou investir o dinheiro? | CRECI/DF
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Brasília, 16/10/2018

Tenho R$350 mil. É melhor quitar meu financiamento ou investir o dinheiro?

Pergunta do leitor: Pago uma parcela de 1.500 reais do financiamento imobiliário. Ainda preciso quitar 100 mil reais em 30 anos. Tenho disponível 350 mil reais. Vale mais a pena quitar o financiamento ou investir o dinheiro?

Resposta de Beto Veiga*:

Uma dúvida muito comum para quem tem dinheiro investido e, ao mesmo tempo, paga financiamento imobiliário. Vamos voltar um pouquinho ao fundamento da atividade bancária para começarmos a ter uma boa ideia a respeito.

O que o banco, em essência, faz? Ele toma emprestado de quem tem para emprestar a quem não tem. Isso é básico. O banco ganha dinheiro pedindo emprestado a uma taxa de juros menor e emprestando mais caro (juros mais altos).

A pergunta estaria respondida aí, não fossem algumas nuances do mercado. A primeira é: você está conseguindo qual rendimento líquido pelo seu dinheiro? Mais do que a taxa de juros cobrada pelo banco no financiamento? Se sim, você tem um grande incentivo para deixar tudo como está, pois, está ganhando mais do que paga de juros.

Caso contrário, se paga mais do que recebe e se você não vê perspectiva de precisar do dinheiro e, nesse caso, ser submetido a juros mais elevados (em geral o crédito imobiliário é a modalidade mais barata para as pessoas físicas) na hora de tomar crédito convencional, vale muito a pena liquidar antecipadamente o financiamento, uma vez que você pode economizar uma boa quantidade de excedente (diferença entre os juros cobrados e os pagos).

Lembre-se sempre de que os juros que você recebe, na maioria das vezes, estão sujeitos à tributação, reduzindo ainda mais o seu ganho, e favorecendo a opção pela liquidação do financiamento.

Um outro aspecto que você deve ficar atento antes de liquidar direto a operação é o fator FGTS. Se você tem dinheiro lá (FGTS), uma forma de usar os recursos é na liquidação (ou na amortização das parcelas) do financiamento imobiliário. Aí vale a pena manter o financiamento em um valor baixo, ou seja, na medida mais próxima daquela que possibilite o seu pagamento por meio de resgates periódicos do FGTS.

*Beto Veiga é doutor e mestre em Economia pela UnB, advogado especialista em direito do sistema financeiro, professor de direito bancário e autor do livro “Case com seu banco com separação de bens”.

Fonte: Exame Online