Conheça 10 iniciativas sustentáveis implementadas em imóveis de BH | CRECI/DF
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Brasília, 15/07/2018

Conheça 10 iniciativas sustentáveis implementadas em imóveis de BH

Concórdia Corporate, no Vale do Sereno: inaugurada em abril, torre com fachada em pele de vidro possui programas de reuso de água da chuva e elevadores inteligentes (foto: Internet)

A sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência para ser incorporada de vez em projetos imobiliários, sejam eles residenciais ou corporativos. Em Belo Horizonte, edifícios estão sendo lançados ou entregues com a alcunha de “verdes”. As funcionalidades mais comuns dizem respeito a placas fotovoltaicas ou de aquecimento solar, passando pelo reúso de água da chuva. Entretanto, outros sistemas mais inovadores estão inspirando arquitetos e engenheiros. É o caso dos elevadores inteligentes que geram a própria energia ou que possibilitam registrar o andar antes de entrar na cabine, o que garante mais eficiência e economia.

Por aqui, um dos últimos empreendimentos a serem concluídos com tais concepções, em abril, foi o Concórdia Corporate, uma parceria entre a Construtora Caparaó, o grupo imobiliário internacional Tishman Speyer e a Codeme Engenharia. A torre foi erguida no Vale do Sereno, em Nova Lima, e em razão das soluções verdes que apresenta vai receber a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), na categoria Gold. Quem concede o selo, um dos principais do setor, é U.S. Green Building Council, organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos, que tem o objetivo de promover a sustentabilidade ambiental de edifícios. “A partir das ações, que começaram com a escolha do terreno, passando pela concepção do projeto, construção e entrega, devemos alcançar redução de consumo de 15% de energia e 54% no volume de água”, diz Maria Beatriz Mundim, gerente de projetos e obras da Tishman. As janelas permitem visibilidade externa de 97% e iluminação natural.

Perspectiva do Veredas Empresarial, no Buritis: jardins escalonados oferecem maior conforto térmico no interior dos ambientes (foto: EPO/Divulgação)

O arquiteto e urbanista Alexandre Nagazawa, sócio da Bloc Arquitetura e Empreendimentos, afirma que o alto custo de se construir um prédio com tais tecnologias é compensado pela economia gerada durante o seu uso. “Empreendedores e consumidores estão percebendo cada vez mais o benefício dessas iniciativas. Todo mundo busca o verde. Ninguém mais aguenta tanto concreto”, diz o arquiteto, que ajudou a desenhar o Veredas Empresarial, que está sendo construído pelo Grupo EPO, no Buritis. O empreendimento terá jardim escalonado, marquises, halls abertos, salas ventiladas e com iluminação natural. “Assim, deixamos de combater o calor com ar condicionado”, diz Alexandre, que também atuou no projeto do Jardim Casa Mall, que abriga o Mercado da Boca, no Jardim Canadá, em Nova Lima. Nesse empreendimento, foram usados painéis de brises, que possibilitam melhor aproveitamento da luz solar e da ventilação, em estações mais quentes ou frias.

Soluções verdes significam também economia para o bolso. Nagazawa dá exemplo de um escritório de 50 metros quadrados, onde o ar condicionado é ligado todos os dias. Ao fim do mês, a conta de energia elétrica gira em torno de 600 reais. “Caso o ambiente tivesse soluções verdes adotadas em sua concepção e construção, com certeza esse consumo de energia cairia 40%”, afirma. Uso de ventilação cruzada, instalação de beirais para sombreamento nas janelas e brises verdes para barrar a incidência solar direta são algumas das inovações.

Fernando Sergio Fogli, diretor técnico de meio ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do estado (Sinduscon-MG), confirma que o mercado vem investindo pesado na modernização dos processos de construção. O pensamento “verde” começa logo no canteiro de obras. “O ciclo de vida dos materiais de construção e a quantidade de água utilizada na obra são algumas das preocupações do segmento”, diz. Conforme Fernando, o Brasil é o quarto do ranking mundial das certificações verdes, com 460 empreendimentos atestados pelo Leed.

Edifício Da Mata, no Santa Lúcia: com área vegetada e arquitetura pensada para aproveitar iluminação natural (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)

As placas fotovoltaicas serão bem mais comuns nos projetos da MRV Engenharia daqui para frente. De acordo com Nathália Tomaz Guimarães, analista de projetos da empresa, em 2017, o sistema já foi instalado em 30% das unidades. “Nos próximos cinco anos, todos os empreendimentos da companhia terão energia fotovoltaica. A estimativa é de investir cerca de 800 milhões de reais na implantação”, diz. O condomínio Ville Verdi, que está sendo finalizado no Buritis, terá sistemas de aquecimento solar, energia fotovoltaica, iluminação de LED e reúso de água da chuva. A data de lançamento ainda não foi definida.

A sustentabilidade também é priorizada pela MIP Edificações. Além de disponibilizar medidores individualizados de água e gás, que motiva um consumo mais racional, ela oferece coletores de óleo de cozinha para dar um destino ecologicamente correto ao produto. Trata-se de uma tubulação especial, através da qual o morador pode descartar o óleo, evitando o despejo na rede de esgoto. É o caso do Edifício Funcionários Lifestyle, na rua Santa Rita Durão.

Juliana Lembi, arquiteta da Construtora Patrimar, lembra que a previsão de ponto de recarga para carro híbrido também é uma realidade para a empresa, além das já conhecidas placas fotovoltaicas e painéis de energia solar. “Optamos ainda por sistema de reaproveitamento de água da chuva para irrigação de jardins e lavagens de áreas comuns dos condomínios.” É o caso do The Plaza, entregue em dezembro no Belvedere. Juliana ressalta que a escolha do tom de cor da fachada também pode influenciar a retenção de calor nos ambiente. Pelo visto, as soluções verdes chegaram para ficar. O meio ambiente agradece e o bolso, também.

Conheça algumas inovações que já fazem parte de muitos empreendimentos de Belo Horizonte

Elevadores inteligentes
Equipamento armazena energia durante as frenagens. Além disso, o usuário pode escolher o andar antes de entrar na cabine, o que gera economia e eficiência

  • Muros, jardins e telhados verdes
    Favorecem maior conforto térmico, diminuindo a necessidade do uso de ar condicionado

Reaproveitamento de água pluvial
Possibilita economia de água e o armazenamento reduz o impacto do volume de água nas galerias subterrâneas da cidade durante temporais

  • Reaproveitamento das águas cinzas
    Sistemas integrados que reutilizam as águas de processos domésticos. Dependendo do nível de tratamento e filtragem, chegam a 100% de reutilização. Permite o uso em vasos sanitários e irrigação de jardins

Sistema de descarte de óleo de cozinha
Por uma tubulação especial, o produto é descartado em depósito à parte, o que evita o despejo na rede de esgoto

  • Painel solar e energia fotovoltaica
    O primeiro permite o aquecimento de água da cozinha, banheiro e demais áreas; o segundo possibilita a geração de energia elétrica e garante 100% de economia

Vidro reflexivo
Controla calor e a luminosidade interna dos ambientes

  • Recarga de veículos
    Espaço para abastecer carros elétricos ou híbridos

Iluminação em led
Garante consumo três a cinco vezes menor que lâmpadas convencionais

  • Medidores individualizados de água e gás
    Favorecem consumo mais racional

Fonte: Revista Encontro